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Quantas Cordas Tem uma Guitarra? De 4 a 12 Cordas Explicado

Igor Silva Anholeto Por Igor Silva Anholeto
Close-up das cordas de uma guitarra elétrica presas nas tarraxas

Parece uma pergunta óbvia até você esbarrar numa guitarra de 8 cordas numa loja, ou ouvir falar do violão de 7 cordas do samba, ou ver uma 12 cordas brilhando numa gravação clássica do rock. A resposta muda dependendo do contexto — e cada configuração existe por um motivo técnico específico, não por modismo.

Resposta rápida

A guitarra padrão tem 6 cordas, afinadas em Mi-Lá-Ré-Sol-Si-Mi (E-A-D-G-B-E) da mais grossa para a mais fina. Além do padrão, existem guitarras de 7, 8 e 12 cordas — cada uma resolve um problema sonoro diferente, do registro grave estendido do metal ao brilho duplicado do folk-rock.

A guitarra padrão: 6 cordas

Praticamente toda música que você já ouviu na guitarra ou no violão foi tocada nessa configuração. As 6 cordas, da mais grossa (mais grave) para a mais fina (mais aguda):

Corda Nota Nome
E2 Mi grave
A2
D3
G3 Sol
B3 Si
E4 Mi agudo

Essa é a chamada afinação Standard. Se você está aprendendo a afinar sua guitarra de 6 cordas, veja nosso guia completo de afinação com todos os métodos, do afinador online ao ouvido treinado.

7 cordas: o grave que faltava

A sétima corda é adicionada abaixo do Mi grave, geralmente afinada em Si (B) — expandindo o registro grave sem sacrificar nenhuma das seis cordas originais. É o padrão do metal moderno, do djent e de parte do jazz fusion, onde a corda extra permite riffs graves e acordes mais densos.

Se você está considerando essa transição, o guia completo das melhores guitarras de 7 cordas cobre os 5 melhores modelos de 2026, do custo-benefício ao profissional.

8 cordas: o extremo do registro grave

Menos comum, mas cada vez mais presente em bandas de metal progressivo e djent (Meshuggah popularizou o formato). A oitava corda desce ainda mais o registro — normalmente para Fá# (F#) ou Mi grave (E), uma oitava abaixo da sexta corda padrão.

O braço é mais largo para acomodar a tensão extra, e a maioria dos modelos usa escala estendida (27“ a 28“) para manter a definição sonora nas cordas mais graves sem ficarem “molengas”. É um instrumento de nicho, quase exclusivamente voltado a quem já domina 7 cordas e quer ir além.

12 cordas: dobro do brilho, não do grave

Aqui a lógica é diferente. Uma guitarra de 12 cordas não adiciona registro grave — ela dobra cada uma das 6 cordas originais, formando pares que tocam junto:

  • 4ª, 5ª e 6ª cordas (graves): dobradas em oitava — a corda extra é mais fina e soa uma oitava acima
  • 1ª, 2ª e 3ª cordas (agudas): dobradas em uníssono — a corda extra soa na mesma altura, criando um efeito de coro natural

O resultado é um som brilhante, cheio e quase orquestral — perfeito para acompanhamento de violão/guitarra solo. É o som de “Stairway to Heaven” (Led Zeppelin) e de boa parte do folk-rock dos anos 60 e 70 com Rickenbacker e Byrds. A desvantagem: mais tensão total no braço, trastes mais difíceis de pressionar por causa da corda dupla, e afinação mais trabalhosa (o dobro de tarraxas para calibrar).

E o violão de 7 cordas brasileiro?

Vale um esclarecimento importante, porque a confusão é comum: o violão de 7 cordas do choro e do samba não é a mesma coisa que a guitarra de 7 cordas do metal. São instrumentos diferentes com propósitos diferentes:

  • Guitarra de 7 cordas (metal/djent): sétima corda afinada em Si (B) grave, abaixo do Mi
  • Violão de 7 cordas (choro/samba brasileiro): sétima corda afinada em Dó (C), tradição que remonta ao começo do século 20 na música popular brasileira, usada para fazer contrapontos de baixo (as famosas “baixarias”)

Mesmo número de cordas, propósito musical completamente diferente.

Resumo comparativo

Configuração Corda extra afinada em Uso principal
6 cordas (padrão) Todos os estilos
7 cordas (guitarra) Si (B) grave Metal, djent, jazz fusion
7 cordas (violão) Dó (C) Choro, samba brasileiro
8 cordas Fá# ou Mi grave Metal progressivo extremo
12 cordas Dobra as 6 originais Folk-rock, acompanhamento

Perguntas frequentes

Uma guitarra de 7 ou 8 cordas é mais difícil de tocar?
A curva de aprendizado principal é o braço mais largo — leva de 2 a 4 semanas para se acostumar, segundo guitarristas que já fizeram a transição. Depois disso, os acordes e escalas nas 6 cordas originais funcionam exatamente igual.
Preciso de um amplificador diferente para guitarra de mais cordas?
Não. Qualquer amplificador de guitarra funciona normalmente. Amplificadores com resposta de frequência mais ampla extraem melhor o grave das cordas extras, mas não são obrigatórios.
Guitarra de 12 cordas serve para solo, ou só para acompanhamento?
É possível tocar solo, mas a proximidade entre as cordas duplas torna bends e técnicas de solo mais difíceis de executar com precisão. A força da 12 cordas está mesmo no acompanhamento rítmico e nos arpejos, onde o efeito de brilho duplicado se destaca.
As cordas extras (7ª, 8ª) precisam de bitola especial?
Sim. A sétima corda de uma guitarra metal costuma usar bitola .059 ou .062 — veja nosso guia das melhores cordas de guitarra, onde as principais marcas já vendem jogos específicos com a corda extra inclusa.
Vale a pena começar direto numa guitarra de 7 cordas, sem passar pela de 6?
Não é recomendado. É mais fácil aprender os fundamentos — acordes, técnica, teoria básica — numa guitarra de 6 cordas primeiro. A transição para 7 ou 8 cordas depois é rápida quando a base já está sólida; o caminho inverso é mais confuso.

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